“Star Wars” mostrou que era possível vender não apenas um filme, mas um universo inteiro.
Naves espaciais, impérios, escolhidos, princesas, batalhas épicas... A fórmula criada por George Lucas funcionava porque, por trás de toda essa grandiosidade, havia uma história construída a partir de estruturas arquetípicas, simplificadas até o essencial.
Não por acaso, o diretor encontrou uma de suas principais referências em “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell. A obra descreve a chamada jornada do herói e a transformação pessoal presente no arcabouço mítico de diferentes culturas; elementos que Lucas utilizou como referência direta na criação de sua franquia.
Desde os anos 1980, porém, e especialmente após o renascimento da saga pelas mãos da Disney, muitos cineastas tentaram reproduzir essa fórmula de space opera.
O problema é que criar um universo tão grandioso quanto o de “Star Wars” é muito mais fácil do que repetir o sucesso de sua história.
As irmãs Wachowski descobriram isso da pior maneira com “O Destino de Júpiter”, filme lançado em 2015 que tentou transformar uma aventura de ficção científica em uma nova grande franquia, mas acabou se tornando um dos maiores fracassos de suas carreiras.
“O Destino de Júpiter” conta a história de Jupiter Jones, uma jovem que nasceu sob o céu noturno, cercada por sinais de que estava destinada a grandes feitos.
Embora sonhasse com as estrelas, a jovem levava uma vida bastante comum, trabalhando como faxineira e enfrentando uma sequência interminável de relacionamentos conturbados.
Tudo isso muda, no entanto, quando Caine, um caçador ex-militar geneticamente modificado, chega à Terra para persegui-la. É então que Jupiter descobre que sua assinatura genética a identifica como herdeira de uma extraordinária linhagem, capaz de alterar o equilíbrio de todo o universo.
O filme, escrito e dirigido pelas irmãs Wachowski — cineastas responsáveis pelo maravilhoso “Matrix”, um dos filmes mais influentes da história do cinema —, tem Mila Kunis (“Amizade Colorida”), Channing Tatum (“Magic Mike”), Sean Bean (“Tróia”) e Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”) como protagonistas.
Não é exagero dizer que “O Destino de Júpiter” é uma aventura épica de ficção científica que prometia ser um regresso glorioso ao gênero para Lilly e Lana Wachowski. Mas, no fim, acabou se tornando um autêntico fracasso.
O megaprojeto da Warner Bros. se ambientava em uma Via Láctea repleta de heróis, princesas, ação e aventura, além de apostar alto no aspecto visual — algo que se comprova pelos 176 milhões de dólares investidos na produção.
O problema é que as cineastas acabaram deixando de lado o que realmente importava e o que havia feito “Matrix” se tornar um fenômeno: contar uma boa história.
A crítica não poupou o filme. Um dos comentários o descreveu como “uma estranha série de televisão de ficção científica cult que de alguma forma sobreviveu à ameaça de cancelamento no meio da temporada”, enquanto outro definiu o projeto como “insipidamente ruim [...] como se tivesse acabado de sair da escola de cinema e estivesse procurando um roteiro para um blockbuster”.
E não parou por aí. A imprensa também criticou as irmãs Wachowski por terem “se deixado levar pelo impulso visual, dedicando tanta atenção à criação de moda, tecnologia, arquitetura e design únicos que se cegaram para as enormes lacunas lógicas de sua própria história”.
É divertido? Sim. É imperdível? Receio que não.
Mas, se mesmo assim você quiser algo para assistir no fim de semana, o filme está disponível na HBO Max. São duas horas de ação a rodo no espaço, mas uma ação que não está à altura de “Star Wars”